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Netos de Nevaldo Rocha chegam ao comando da Riachuelo

26/10/2011 12h09

Deu no IG

Os primeiros netos do fundador da rede Riachuelo, Nevaldo Rocha, de 83 anos, começam a assumir cargos na administração do Grupo Guararapes, controlador da terceira maior cadeia de lojas de vestuário do País e a maior empresa confecção da América Latina.

Felipe Rocha, de 25 anos, filho de Flávio Rocha, atual presidente da Riachuelo e vice-presidente do grupo Guararapes, está à frente do departamento de moda jovem masculina da rede. Marcela Carvalho, de 29 anos, filha de Lisiane, membro do conselho de administração do grupo, trabalha no departamento de marketing da varejista.

Nevaldo Rocha possui 10 netos - filhos de seus três filhos, Flávio, Lisiane e Élvio Rocha. Mas boa parte deles ainda levará alguns anos para chegar à companhia. E uma das netas abriu mão de um emprego no grupo para seguir carreira em medicina.

A terceira geração chega à Riachuelo em um momento de expansão acelerada da varejista, que obteve pela primeira vez em sua história empréstimos do BNDES. Segundo Flávio Rocha, a rede prevê alcançar a marca de 175 filiais em 2012 e 205 unidades em 2013. Até dezembro, a Riachuelo deve abrir mais 19 lojas, encerrando o ano com 145 unidades e um faturamento em torno de R$ 3 bilhões.

Além das inaugurações, a Riachuelo está ampliando a área de venda de suas unidades e iniciou um projeto-piloto de lojas só de vestuário feminino, que ocupam espaços menores. O grupo abriu ainda um escritório em Xangai, para buscar fornecimento na China e na Ásia, embora as importações representem cerca de 8% das vendas da varejista. Em outras redes, esse percentual chega a 20%.

Para arrumar emprego no grupo, os herdeiros, porém, tiveram de se sujeitar a disputar uma vaga entre os milhares de candidatos ao programa de trainees da companhia e a se submeter ao mesmo curso de estágio. Neste ano, inscreveram-se para o programa de trainees da Riachuelo 30 mil pessoas, das quais 90 apenas foram selecionados, disse Rocha, que participou na última segunda-feira, em São Paulo, de um seminário sobre governança corporativa em empresas familiares, promovido pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

DNA

Na indústria de vestuário, o DNA ainda fala mais alto, apesar da recente entrada nesse segmento de investidores, que enxergam lucrativas oportunidades de consolidação do mercado. A InBrands, dona da São Paulo Fashion Week, por exemplo, vem adquirindo marcas locais de moda, como Ellus, VR Menswear, VR Kids, Alexandre Herchcovitch e 2nd Floor.

Das grandes cadeias de vestuário do mercado brasileiro, porém, a Renner pode ser considerada a única de capital pulverizado e gestão 100% profissional. A C&A ainda é controlada e comandada pelos herdeiros da família Brenninkmeijer, que fundou a varejista na Holanda em 1841.

Empreendedorismo

Na Guararapes, Nevaldo Rocha ainda é quem dá a última palavra. De origem humilde, Nevaldo chegou jovem a Natal, no Rio Grande do Norte, atraído pela efervescência com a instalação de uma base militar americana na cidade durante a 2º Guerra Mundial (1939-1945), e que trouxe muitos americanos à cidade. Aos 19 anos, em 1947, ele abriu com um sócio uma pequena loja de relógios, chamada "A Capital", que daria origem mais tarde à rede Riachuelo e ao Grupo Guararapes, constituído em 1956. Nevaldo ocupa a presidência do conselho da companhia, do qual participam apenas dois filhos, Lisiane e Élvio, e ainda a presidência executiva do grupo.

"Mas, há três anos, ele só fica no Rio Grande do Norte, nem vem mais a São Paulo", afirma Flávio Rocha, que ocupa a vice-presidência executiva da Guararapes.

Pelo contato com os americanos, Nevaldo desenvolveu uma admiração pelos Estados Unidos, e abriu o capital da companhia ainda nos anos 70. No início dos anos 90, o grupo passou uma série crise financeira, assim como outros grupos nacionais, como o Pão de Açúcar, mas conseguiu sobreviver às turbulências. "Em 1993, tivemos de fechar metade das lojas", disse Rocha.

Fast-fashion

Há dez anos, a Guararapes aderiu integralmente ao modelo de negócio verticalizado, que se estende da produção do fio à venda de roupas para o consumidor final, passando a ser uma defensora desse formato. Esse modelo ficou conhecido mundialmente de "fast-fashion", por inspiração na estratégia adotada pela Zara, do grupo espanhol Inditex, que se transformou em uma referência no varejo de moda.

 


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