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04/03/2026 10h30

Março Lilás alerta para 330 novos casos de câncer do colo do útero em 2026 no RN

Mas a campanha também abre espaço para uma reflexão mais ampla: a saúde da mulher precisa ser vista de forma integral, contínua e preventiva, e não apenas diante de um diagnóstico.

O Março Lilás é tradicionalmente marcado por ações de conscientização sobre o câncer do colo do útero. Mas a campanha também abre espaço para uma reflexão mais ampla: a saúde da mulher precisa ser vista de forma integral, contínua e preventiva, e não apenas diante de um diagnóstico.

Os números reforçam a importância do alerta. De acordo com projeções divulgadas em fevereiro de 2026 pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio 2026-2028, um crescimento de aproximadamente 13% em relação ao período anterior. Apesar de ser uma doença altamente evitável por meio da vacinação contra o HPV e da realização periódica do exame preventivo, o país ainda contabiliza entre 6 mil e 7 mil mortes anuais pela doença. Óbitos que, em grande parte, poderiam ser evitados. No Rio Grande do Norte, a estimativa é de 330 novos casos em 2026.

Para a ginecologista da Hapvida Lisieux Nóbrega, o debate do Março Lilás precisa ir além do rastreamento da doença. "Quando falamos em prevenção do câncer do colo do útero, estamos tratando também de vacinação, acesso à informação e acompanhamento regular. Mas a saúde da mulher não pode ser lembrada apenas em campanhas. Ela envolve avaliação das mamas, planejamento reprodutivo, saúde mental, controle de doenças crônicas e qualidade de vida", afirma.

Segundo a especialista, o autocuidado deve ser entendido como rotina, e não como reação a sintomas. Isso inclui consultas ginecológicas periódicas; realização do exame citopatológico, conforme recomendado pelo Ministério da Saúde - indicado para mulheres de 25 a 64 anos -; mamografia na faixa etária preconizada; atualização do calendário vacinal; acompanhamento hormonal, quando necessário; e atenção aos sinais do próprio corpo.

Ela alerta ainda que o Brasil precisa avançar para cumprir as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública nas próximas décadas. "Estamos falando de uma das neoplasias mais preveníveis que existem. Quando uma mulher morre por essa doença, há uma cadeia de falhas no acesso à prevenção. São mortes evitáveis", destaca.

Nesse contexto, o Março Lilás reforça que cuidar da saúde feminina vai muito além de um único exame. A prevenção passa por informação de qualidade, acesso aos serviços de saúde e, principalmente, pela incorporação do autocuidado à rotina. Mais do que tratar doenças, é preciso promover saúde em todas as fases da vida da mulher.

 


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