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15/10/2012 13h41 - Atualizado em 15/10/2012 13h49

Vendas do comércio potiguar crescem 11,5% em agosto

Apesar de ser considerado bom, o desempenho do comércio potiguar ficou abaixo da média nacional (15,7%).

 

Os sucessivos recordes de vendas registrados no setor de automóveis, na esteira da redução do IPI promovida pelo Governo Federal, puxaram para cima o incremento das vendas do Comércio Varejista Ampliado do Rio Grande do Norte em agosto. O aumento de 11,5% ficou acima dos 9,6% registrados no mesmo mês de 2011 e também elevou a média anual do aumento de vendas no estado dos 5,9% que tínhamos até julho, para 6,6%.

Mas, nem tudo foi boa notícia no oitavo mês do ano. Apesar de ser considerado bom, o desempenho do comercio potiguar ficou abaixo da média nacional (15,7%) e também dos percentuais registrados por estados nordestinos como Bahia (20,7%), Maranhão (18,4%), Ceará (16,8%) e Pernambuco (14,1%).

Mesmo registrando que o crescimento de 11,5% foi bom, o presidente da Fecomércio RN, Marcelo Fernandes de Queiroz, lamenta o fato de ele ter sido construído basicamente apenas na esteira dos incentivos fiscais do governo federal. "Fica muito claro que poderíamos ter vendas muito mais aquecidas o que redundaria em mais emprego e renda para os potiguares", afirma o empresário.

Queiroz esclarece que alguns pontos pesaram para que o RN não seguisse o mesmo ritmo de crescimento de vendas de alguns dos seus vizinhos. "O principal, sem dúvida, é a falta de investimentos públicos. As prefeituras, sobretudo na capital, estão com investimento quase zerados. Os governos estadual e federal também têm níveis de investimentos baixíssimos no Rio Grande do Norte há pelo menos dois anos. Isso reflete de forma muito forte no desempenho do comércio", diz ele.

Outros fatores também contribuíram, ainda de acordo com Marcelo Queiroz, para o freio no aquecimento das vendas do comércio varejista potiguar. Ele cita basicamente outros dois deles: alto nível de endividamento dos consumidores e a seca que assola boa parte do estado.

Com relação ao endividamento, o presidente da Fecomércio pontua que, segundo os dados regionais, o percentual de endividamento do potiguar, que já foi bem menor que a média nordestina, hoje está acima da média da região. "Cruzando dados da Confederação Nacional do Comércio com dados do Banco do Nordeste - que aferem o percentual de endividamento do consumidor por estado - verificamos que em janeiro deste ano, o percentual de endividados no Nordeste era de 62,2% enquanto que no RN ele ficava em torno dos 57%.

Os dois índices seguiram caminhos inversos ao longo deste ano. Enquanto o percentual nordestino teve um trajetória de queda, o potiguar cresceu. Pelos números de agosto, o nível nordestino ficou em 52,6% enquanto que o potiguar se aproxima dos 60%. Claro que este nível de endividamento prejudica as vendas, sobretudo a dos itens de maior valor, que dependem da obtenção de crédito. Isso faz até mesmo com que os potiguares se beneficiem menos dos incentivos fiscais do governo federal para os automóveis, por exemplo", diz Queiroz.

Seca
Outro ponto sobre o qual o presidente da Fecomércio chama a atenção é a seca que assola boa parte do Rio Grande do Norte e que deverá redundar na quebra de safra de alguns itens importantes na nossa pauta. "A safra da castanha - um dos principais itens da nossa pauta de exportações - está seriamente comprometida. O setor pecuário também teve baixas consideráveis e tudo isso reflete na renda da população das cidades atingidas. Com renda em queda, o consumo também cai", ressalta Marcelo Queiroz.

Expectativas
Apesar das críticas e do tom de decepção com os dados de agosto, o presidente da Fecomércio faz questão de manter um certo otimismo para o último quadrimestre do ano, embora faça ressalvas. "Em setembro, teremos o impacto das boas vendas da Liquida Natal. Além disso, os números preliminares mostram uma recuperação no nível de endividamento. Está havendo uma maior oferta de crédito, e é um crédito mais barato, que poderá contribuir não apenas para irrigar o comércio de forma direta como para promover um movimento de quitação de dívidas. Tudo isso concorre para que possamos seguir com vendas em alta rumo ao crescimento próximo dos 10% para 2012, o que seria bem acima dos 5,5% que registramos em 2011", diz ele.

Mas o empresário faz dois alertas. O primeiro é que é preciso saber até que ponto a euforia de consume provocada pela queda de impostos federais poderá afetar o movimento típico de final de ano. "Alguns economistas têm chamado a atenção para o fato de que boa parte das compras que seriam feitas em novembro e dezembro podem estar sendo feitas agora, o que iria refletir negativamente nos dois últimos meses do ano. Precisamos acompanhar isso de perto", diz.

O segundo ponto sobre o qual Queiroz chama a atenção é para a responsabilidade na concessão de crédito, mesmo o mais barato. "Cada agente financiador precisa se embuir deste espírito. Um crédito concedido sem critérios, sem responsabilidade, é um crédito ruim para toda a economia, por que gera a corrosiva indimplência", diz o presidente.

 


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